DÓLAR ANÊMICO E CUCARACHAS FELIZES
Publicado em 18 de novembro de 2009 por José Martins
Reunidos em 4 de Novembro de 2009, os dirigentes do banco central dos EUA (também conhecido como Fed) adotaram a inteligente decisão de manter inalterada a taxa básica de juros do planeta entre 0 e 0,25%. O que justifica a manutenção de taxa tão baixa? Na cabeça de Ben Bernanke, o presidente do Fed, o que conta é não bobear e não abrir a guarda da política monetária do império para uma catastrófica depressão econômica.
Nos anos 1860, Marx chamava de idiota Lorde Gladstone, então ministro da Fazenda da Inglaterra, por ter elevado a taxa de juros e provocado uma crise que poderia ter sido evitada. Para sorte dos capitalistas dos EUA – e de todos os parasitas do mundo, por extensão – Bernanke entende muito mais de economia e de crises do que Gladstone.
EXPORTANDO A CRISE
Na cabeça dos mais desconfiados com as boas intenções dos donos do mundo, entretanto, a medida do Fed de manter a taxa zero de juros faz parte de uma política norte-americana de exportar sua crise para o resto do mundo e salvar a pele dos seus falidos banqueiros de Wall Street. Faz parte de uma política imperialista de repartir as perdas e danos globais da crise entre os capitalistas das economias nacionais mais vulneráveis do sistema.
Essa desconfiança faz sentido, pois, enquanto se mantiver essa taxa zero de juros e, conseqüentemente, a política do “dólar fraco”, o planeta financeiro pode até continuar acumulando reservas em dólar, a assoprar bolhas e a lucrar muito com seus capitais fictícios nas bolsas de valores, nos mercados de commodities – petróleo, metais, ouro, etc. – mas logo chegará à casa de cada um uma conta muito salgada por esse porre global do “dólar anêmico”. É um perigo que já assombra os capitalistas.
Enquanto o Fed abarrota o mundo com essa torrente assombrosa de moeda-padrão de reserva internacional, que pode repentinamente virar um grande mico global – como ocorreu em 1971, com a decisão unilateral dos EUA de romper com a paridade dólar-ouro do tratado de Bretton Woods e causar o maior
Comentários (1)
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A Embraer massacra metalúrgicos e recebe mais dinheiro do governo
Enquanto os gringos mantêm os juros baixos, aqui o Cassino Brasil continua rendendo muitos lucros a todos que vem apostar aqui.
O juro está alto para os padrões internacionais. Os “analistas” do mercado estão prevendo subida na SELIC em 2010.
Os próprios manuais ortodoxos dizem que se a conta financeira for aberta o país não tem liberdade para definir a taxa de juros que quizer. Se fizer isso é pura burrice. O chamado carry trade corre sobre as barbas do BC que nada faz. Os bancos tomam lá fora a quase zero e emprestam ao Tesou por 8,75% e ainda ganham com a valorização do câmbio.
Um sugestão que os “economistas” do mercado estão dando é que o Tesouro emita títulos em reais lá fora e deixe o dinheiro lá mesmo. É como se o Joaquim fosse ao banco pedisse tomasse emprestado todo dinheiro oferecido pelo gerente e como não tinha o que fazer com o dinheiro, deixou lá mesmo depositado na conta corrente.