(Boletim nº 1000 1ª semana dezembro 2009) NO CAMINHO DA REVOLUÇÃO
Publicado em 9 de dezembro de 2009 por José Martins
Marx dizia corretamente o seguinte: “Quem procura descobrir as leis que comandam as crises do mercado mundial deve definir não só seu caráter periódico, mas também as datas exatas do seu retorno periódico. Por outro lado, as características distintivas, próprias a cada nova crise econômica não devem esconder os aspectos que são comuns a todas”
A periodicidade, quer dizer, a repetição regular das crises – ou pelo menos pressões periódicas muito claras de superprodução de capital, que podem também ser detectadas empiricamente – faz com que uma crise cíclica não ocorra aleatoriamente. Assim, toda crise pode (e deve) ser datada, e toda análise séria procura determinar o momento exato em que ela poderá se manifestar.
A capacidade de previsão é uma característica do saber científico. Com uma boa teoria, pode-se, então, verificar com elevado grau de precisão que os ciclos econômicos são periódicos e não totalmente aleatórios. E, dentro desses períodos, suas diferentes fases – retomada, expansão, aceleração máxima, desaceleração e crise – obedecem a certas condições concretas distintivas a cada ciclo, e principalmente, a um tempo razoavelmente regular. A não ser no caso muito raro de uma depressão global, quando o tempo desaparece, a última fase (desaceleração e crise) de um determinado ciclo também tem hora para começar e para terminar. Vejamos como os ideólogos e os economistas do capital lidam com essa dinâmica da totalidade do sistema.
OS IDEÓLOGOS DA BOLHA – Não é uma tarefa fácil seguir aquelas recomendações teóricas de Marx para se tratar seriamente das crises do capital. Principalmente para os ideólogos mascarados de economistas. Em primeiro lugar, é muito difícil à ideologia burguesa (ou pequeno-burguesa, principalmente) aceitar a realidade da superprodução de capital enquanto tal, e, conseqüentemente, o caráter periódico das suas crises econômicas. A dificuldade está no fato que os ciclos econômicos não obedecem a nenhum automatismo natural, repetindo monotonamente e eternamente suas diferentes fases ou, muito menos, encaminhando mecanicamente para uma fatalistica depressão econômica, um fatal desmoronamento, como quer os partidários da doutrina dos “ciclos longos”, do “longo declínio”, da “decadência do sistema” e outras variantes ideológicas que, como legítimos descendentes de Malthus, não podem aceitar o fato que não existe crise permanente, mas crises periódicas em permanência.
O irmão gêmeo desse catastrofismo malthusiano (e keynesiano) é a nebulosa idéia (apenas idéia) que “mais cedo ou mais tarde essa bolha vai explodir!” O certo é que nem mais cedo nem mais tarde esses ilusionistas vão conseguir ir além de uma grosseira confusão entre superprodução de capital com superacumulação ou, pior ainda, e na maioria dos casos, com as famigeradas “bolhas especulativas”. O certo, mesmo, é que não vale a pena perder tempo com essas bobagens. Vejamos outras variantes mais interessantes de funcionários do capital, não tão estéreis como os ideólogos da bolha.
O EMPIRISMO DAS DATAS – Além das ideologias, não desaparece a necessidade prática dos capitalistas procurarem com exatidão as datas de retorno periódico das suas crises. Isso eles não vão jamais conseguir e sempre vão encarar as crises como uma fatalidade, ou, para os liberais, como resultado de indevidas intervenções políticas (governo) na ordem harmoniosa do mercado. Acontece que os capitalistas não sabem o que é
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