Uma Moratória das Arábias

Publicado em 1 de dezembro de 2009 por José Martins

Dubai, cuja moratória da dívida sacudiu o sistema financeiro mundial nesta semana, é uma criatura da globalização. E da geografia. Acontece que essa inutilidade histórica está localizada por acaso no estratégico estreito de Hormuz, confluência do Golfo Pérsico com o resto do mundo. É a única passagem de grandes áreas de exportação de petróleo (Iraque, Arábia Saudita, Irã, Kuwait) para o mar aberto, tornando Hormuz um dos mais estratégicos “choke points” do mundo. O volume de tráfego diário corresponde a 40% de todo o transporte de óleo por mar e 20% de todo o transporte marítimo mundial.
Não é por acaso, portanto, que os capitalistas de todo o mundo transformaram esse emiradozinho, até poucas décadas atrás fortemente despovoado e sem nenhuma importância econômica, em um dos maiores entrepostos do comércio mundial e livre zona financeira global. Para começar, construíram no pequeno território o porto Jebel Ali, o maior porto artificial do mundo, que ocupa atualmente o 8º lugar no ranking mundial de trafego de containeres. Depois vieram os bancos, a construção civil e o turismo da moda dos milionários.

NÃO ACREDITE NUNCA EM COISAS MUITO SÓLIDAS – Dubai tornou-se uma espécie de “Nova Singapura” no início do século 21. Uma extraordinária desregulamentação das operações financeiras e comerciais. Uma eufórica realização do mercado ideal. Muito mais livre-capitalista do que a Singapura tradicional. E Dubai voou alto. Até o início da crise financeira global do ano passado

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