
Publicado em 26 de novembro de 2009 por José Martins
A brasileira Embraer, a maior empresa montadora de aviões da América Latina, já demitiu, este ano, cerca de 600 metalúrgicos somente nas fábricas de São José dos Campos, além do corte em massa realizado em fevereiro, quando a empresa demitiu 4.273 trabalhadores em todas as suas unidades. O número contradiz as informações transmitidas à imprensa pela Embraer, que repetidas vezes negou novas demissões.
O balanço foi realizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (filiado à CONLUTAS), com base nos pedidos de homologação, entre janeiro e novembro. Somente esta semana, a Embraer já pediu o agendamento de 50 a 70 homologações. Hoje, a Embraer possui cerca de 11.700 trabalhadores.
O Sindicato defende a redução da jornada de trabalho para 36 horas, sem redução de salário e sem banco de horas, como forma de preservar os empregos dos trabalhadores da Embraer. Eles trabalham hoje 43 horas semanais, a maior jornada do mundo entre as indústrias aeronáuticas e a maior da região entre as metalúrgicas.
Enquanto os patrões da Embraer massacram os trabalhadores, o presidente da República sancionou, na última terça-feira, dia 24, a Lei nº 12.096 (Medida Provisória 465/09), autorizando a concessão de R$ 44 bilhões, em forma de subvenção econômica, para financiar aquisição e produção de aeronaves brasileiras. A medida, portanto, beneficiará diretamente a Embraer. O financiamento será feito pelo BNDES.
Este valor é quase três vezes mais do que o total de financiamentos liberados para a Embraer desde a sua privatização – um montante aproximado de R$ 15 bilhões.
O Estado nada mais é do que o comitê central de negócios da burguesia e de repressão militar da luta de classes. Querem uma comprovação? Vejam os recentes ataques da Embraer, a maior empresa (privada) de montagem de aviões da América Latina, aos trabalhadores e as somas gigantescas de dinheiro público que ela continua recebendo do governo brasileiro.
Publicado em 26 de novembro de 2009 por José Martins
No Brasil não existe uma muralha da China, o que existe é uma “muralha de dinheiro”. O real se converteu na moeda mais sobrevalorizada do mundo devido a uma crescente “muralha de dinheiro” que tem neutralizado os esforços do governo brasileiro para conter a valorização, afirmou na quarta-feira o banco Goldman Sachs.
Vejamos outros itens destacados pelo Goldman Sachs que a Reuters noticia em 26 de Dezembro. Os chamados investimentos líquidos de portfólio mensais atingiram a assombrosa cifra de 17,6 bilhões de dólares em outubro, saltando do intervalo de entre 6 bilhões e 8 bilhões de dólares registrado desde março, quando os mercados financeiros começaram a se recuperar, afirmou a instituição. Esses investimentos de “portfolio” são injeções de capital especulativo de curtíssimo prazo nas bolsas de valores, mercado de renda fixa, commodities, etc.
Em 2007 e 2008, antes da crise do Lehman Brothers, o país atraía cerca de 3,3 bilhões de dólares mensais desses investimentos.
O governo brasileiro estabeleceu um imposto financeiro (IOF) de 2 por cento sobre os investimentos estrangeiros em ações e renda fixa e um imposto de 1,5 por cento sobre as operações realizadas com ADR de empresas brasileiras. Segundo os economistas da Goldman Sachs nada disso foi capaz de interromper o tsunami de dólares e a valorização do real.
Quando a inundação começou, a burguesia brasileira (e sua midia) festejava feliz o aumento das reservas internacionais e até uma nova mistificação do “fim da dívida externa”. Agora não sabe o que fazer com tanta liquidez e logo se defrontará com o destino de um inevitável afogamento.
Publicado em 24 de novembro de 2009 por José Martins
O Departamento do Comércio dos EUA informou nesta terça-feira, 24, que o PIB da economia reguladora do planeta cresceu 2.8% no terceiro trimestre 2009. Embora sinalize recuperação, ainda é muito pouco para acalmar os capitalistas. Acontece que o mesmo relatório destaca que nos últimos doze mêses terminados em Junho 2009 a economia caiu 3.8%, o pior resultado em sessenta anos. Os quatro trimestres de queda consecutiva até Junho 2009 marca o mais longo período de declíneos desde que os registros trimestrais começaram a ser feitos em 1947. Em resumo, o esforço para reverter essa porrada histórica tem que ser descomunal. É por isso que o sopro de recuperação nos últimos mêses na economia mundial pode ser nada além do que isso, apenas um sopro.
Publicado em 13 de novembro de 2009 por José Martins
Em interessante artigo (”Is Méxicothe “New” China?) Keith Fitz-Gerald, estrategista chefe de investimentos da Money Morning,o México já ultrapassou a China e já está em primeirono ranking dos países (leia-se força de trabalho) mais baratos do mundo para empresas procurando produtos manufaturados para o mercado dosEUA. A India é agora a Nº 2, seguida pela China e depois pelo Brasil. As vantagens de custo no México são tão atrativas que até empresas chinesas estão se deslocando para aquele país, aproveitando também da proximidade com os EUA. O influxo de indústrias chinesas começou no início da década – através de firmas dos setores de telefonia celulare, aparelhos de televisão, texteis e automóvel - operando como maquiladoras mexicanas. Por volta de 2005, já haviam de 20 a 25 indústrias chinesas operando no México, em estados comoChihuahua, Tamaulipas e Baja.
Quanto será que pesa nas análise que se faz da economia mundial esse tipo de transformação da crosta geo-econômica do mercado mundial – que ocorre contantemente, ritmada pelos ciclos econômicos periódicos? Este caso do México desbancando a China da liderança das cheapest country é um bom exemplo desse tipo de transformação. Se a análise de Fitz-Gerald se confirmar, muita coisa vai mudar na dinâmica da acumulação mundial, com impactos econômicos e geopolíticos particularmente para a América Latina e dentro desta o Brasil. O imperialismo terá que encontrar capatazes ainda mais eficientes que Luis Inácio “Makunaima” da Silva, etc, para administrar esse aprofundamento da exploração capitalista (e da correspondente agudização da luta de classes) na área latino-americana. Estamos de olho no lance.
Publicado em 5 de novembro de 2009 por José Martins
Como afirmamos em diversos boletins durante o ano a decisão crise geral (Grande Depressão) ou crise parcial aconteceria na virada do terceiro para o quarto trimestre 2009. Foi o que já aconteceu. Agora podemos vislumbrar com mais clareza que o jogo acabou e a crise parcial foi confirmada. Por que? A resposta está em dados cabeçudos publicados em 5 novembro nos EUA. Estaremos tratando no boletim desta semana ( título: The Game is Over – O Jogo Acabou) destes dados fundamentais para a dinâmica capitalista e da análise do fim de mais um ciclo periódico de superprodução. Espero voces lá.
Publicado em 4 de novembro de 2009 por José Martins
No dia 4 de Novembro o preço do ouro frente ao dólar continuava subindo, atingindo o recorde anual de US$1100 por onça troy . Mas em termos reais (descontada a inflação no período) o ouro está muito longe do pico alcançado em 1980. Para caracterizar um recorde real, o dólar deveria atingir agora cerca de US$ 2100.
Publicado em 2 de novembro de 2009 por José Martins
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