Sobre nosso trabalho e nossa praxis

Publicado em 29 de outubro de 2009 por admin

Na primeira semana de Dezembro de 2009 alcançamos a marca histórica da edição nº 1000 do nosso boletim semanal. Dentro de poucos meses, em 1º de Maio de 2010, nossa grande aventura chamada CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA também estará completando seu vigésimo quarto aniversário. Geneticamente, mais de vinte e três anos atrás, um grupo de dedicados operários das regiões da Grande São Paulo, Campinas, Itu, Sorocaba e Baixada Santista, vinham toda quinta-feira à noite à sede do 13 de Maio Núcleo de Educação Popular para estudar e analisar a situação da economia internacional e brasileira. Foram precisamente aqueles valorosos companheiros que nos incumbiram de redigir um boletim que fosse uma síntese do tema econômico discutido na semana, e que fosse distribuído para outros trabalhadores, nas mais diversas regiões do país. Um boletim semanal. Assim, mais de vinte e três anos atrás, exatamente na primeira semana de maio de 1987, publicamos a edição nº 1 do boletim. E não paramos mais. Foram mil boletins semanais. Sem interrupção. As pausas (a maior parte delas compensadas com boletins especiais) foram devidas principalmente a problemas de saúde ou a viagens mais longas do nosso redator.

Essa excepcional longevidade de vinte e quatro anos ininterruptos para simples pedaços de papel semanais contendo frente e verso de análises dos fatos econômicos é um fato inédito. Como se justifica tal transgressão? Um simples trabalho de acompanhamento e crítica da economia capitalista, mas com origem e caráter muito claros: a defesa intransigente do programa e dos interesses imediatos e gerais da classe proletária mundial. Como? Através de dois movimentos simultâneos: crítica da economia real, quer dizer, da existência prática do capital; e crítica da economia política dos capitalistas, quer dizer, da atividade ideológica dos seus economistas e outros reformadores sociais acerca daquela economia real.

Cremos que a excepcional longevidade do nosso boletim se explica em primeiro lugar por essa prática teórica de reforçar nosso caráter e nossa identidade de classe. Conseguimos essa identidade não com crenças, ideologias, e outras bobagens, mas exatamente com a crítica do mundo real e dos acontecimentos materiais que se desenrolam quotidianamente sob nossos olhos. Se nos contentássemos em apenas explicar a sensual e mutante anatomia do mundo capitalista, e não desvelar a sua necrologia, o nosso boletim não teria nenhuma identidade e não teria completado nem um ano de vida.

O único redator do boletim (e responsável pela referida linha programática) neste tempo todo foi José Antônio Martins. No exato ritmo da evolução daquela prática teórica, equipe, redator e boletim chegaram à sua atual idade adulta através de sucessivas transformações. Nada ficou estagnado: em primeiro lugar, um esforço permanente de aprofundamento da análise e da investigação dos fatos concretos. A linguagem, o estilo de redação, a cara do boletim, seu próprio nome e sua forma de apresentação foram periodicamente modificados. Assim, a precursora Análise Semanal da Conjuntura Econômica mudou seu nome para Análise Semanal da Economia alguns anos depois. Com o passar do tempo, mudou em definitivo para a atual Crítica Semanal da Economia.

Não sabemos por quantos anos mais conseguiremos continuar nessa maravilhosa aventura. A única coisa certa é que, doravante, teremos que continuar nosso trabalho em meio a maiores dificuldades e crescentes ameaças. Os ataques políticos contra a continuidade do nosso trabalho reaparecem com fogo redobrado na esteira das sucessivas crises periódicas do capital ocorridas nos últimos vinte e quatro anos. Hoje estamos mais do que nunca isolados e marginalizados pela ideologia burguesa e pela democracia do Estado-capital. Mas essa realidade cada vez mais totalitária da civilização não é nenhuma surpresa para nós. Ao contrário, as pressões, a censura do silêncio, sabotagens, obstáculos institucionais crescentes para a continuidade da publicação, a penúria para a sobrevivência da equipe, etc, só servem para nos tranqüilizar quanto à seriedade do nosso trabalho.

É muito longa a lista de companheiros, companheiras, associações e sindicatos que participaram ou apoiaram decisivamente para a manutenção material para a continuidade do nosso boletim. Agradecemos a todos nossos queridos camaradas que, diretamente ou anonimamente, contribuíram para o nosso crescimento e para que chegássemos até aqui com uma orgulhosa certeza de dever cumprido: honrar nossos antepassados lutadores da classe proletária internacional que, mais uma vez reunidos, vinte e quatro anos atrás às quintas-feiras à noite, na então sede do 13 de Maio, nos incumbiram de fazer um boletim simples, mas profundo, capaz de atender às necessidades de desenvolvimento teórico da classe trabalhadora.

Abraços fraternais da Equipe 13 de Maio – Critica da Economia.
VIVA A CLASSE PROLETÁRIA INTERNACIONAL.
VIVA A REVOLUÇÃO COMUNISTA INTERNACIONAL.